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segunda-feira, 31 de maio de 2010

Amplo uso de pesticidas leva ao surgimento de “superervas” resistentes

 Direto do em pratos limpos.
Pragas tenazes obrigam agricultores a retomar o arado

Por WILLIAM NEUMAN e ANDREW POLLACK, do New York Times

Folha de São Paulo, 31/05/2010 | DYERSBURG, Tennessee – Assim como o uso intensivo de antibióticos contribuiu para a ascensão de supergermes resistentes a medicamentos, o uso quase generalizado pelos agricultores americanos do herbicida Roundup levou ao rápido crescimento de novas e tenazes superervas.
O mato resistente ao Roundup também é encontrado em outros países, como Brasil, Austrália e China, segundo pesquisas.
Para combatê-lo, os agricultores são obrigados a borrifar os campos com herbicidas mais tóxicos, arrancar o mato manualmente e voltar a métodos mais trabalhosos, como a aração comum.
“Voltamos ao ponto em que estávamos 20 anos atrás”, disse Eddie Anderson, agricultor que vai arar cerca de um terço de seus 1.200 hectares de soja nesta estação, mais do que arou em muitos anos. “Estamos tentando descobrir o que funciona.”
Especialistas dizem que esses esforços poderão causar um aumento do preço dos alimentos, menor produtividade das colheitas, crescentes custos agrícolas e mais poluição da terra e da água. “É a maior ameaça isolada à produção agrícola que já vimos”, disse Andrew Wargo, presidente da Associação de Distritos de Conservação do Arkansas.
A primeira espécie resistente que representou ameaça séria à agricultura foi localizada em um campo de soja no Estado de Delaware em 2000. Desde então, o problema se disseminou, com dez espécies resistentes em pelo menos 22 Estados infestando principalmente campos de soja, algodão e milho.
As superervas podem diminuir o entusiasmo da agricultura americana por algumas colheitas geneticamente modificadas. A soja, o milho e o algodão que são manipulados para sobreviver ao borrifamento com Roundup tornaram-se padrão nos campos dos EUA. No entanto, se o Roundup não matar as ervas daninhas, os agricultores terão pouco incentivo para investir em sementes especiais.
O Roundup -fabricado pela Monsanto mas hoje também vendido por outras empresas sob o nome genérico de glifosato- elimina um amplo espectro de ervas daninhas, é fácil e seguro de trabalhar e se decompõe rapidamente (sic).
Hoje as plantações com sementes Roundup Ready representam cerca de 90% da soja e 70% do milho e do algodão plantados nos EUA. Mas os agricultores já borrifaram tanto Roundup que o mato evoluiu rapidamente para sobreviver a ele.
Anderson está lutando com uma espécie de erva particularmente resistente ao glifosato, chamada Palmer amaranth, ou “erva-porco” [caruru] na denominação local. Na tentativa de matar a praga, Anderson e seus vizinhos estão arando seus campos e misturando herbicidas ao solo.
Isso ameaça reverter um dos avanços agrícolas promovidos pela revolução do Roundup: a agricultura com aração mínima. Ao combinar Roundup com colheitas Roundup Ready, os fazendeiros não precisavam arar abaixo das ervas para controlá-las. Isso reduzia erosão, vazamento de produtos químicos para cursos de água e gasto excessivo de combustível nos tratores.
Se a aração frequente se tornar novamente necessária, será “uma grande preocupação para nosso meio ambiente”, disse Ken Smith, cientista de ervas daninhas da Universidade do Arkansas.
Além disso, críticos de colheitas geneticamente modificadas dizem que o uso de mais herbicidas contesta as alegações da indústria de biotecnologia, de que suas colheitas seriam melhores ao meio ambiente. “A indústria está nos levando a uma agricultura mais dependente de pesticidas, e precisamos ir na direção oposta”, disse Bill Freese, analista do Centro para Segurança Alimentar, em Washington.
A Monsanto, que antes afirmava que a resistência não seria um problema maior, hoje adverte contra se exagerar em seu impacto. Rick Cole, que administra o tema nos EUA para a empresa, disse: “É uma questão séria, mas administrável”.

Ford foi condenada pela Justiça a indenizar o RS



Mídia sulina está calada, apesar de a sentença judicial ter saído em dezembro/2009

A ação ordinária ajuizada pelo Estado do Rio Grande do Sul contra a Ford Brasil Ltda. recebeu sentença favorável, condenando a empresa a indenizar o Estado e reconhecendo o rompimento contratual por parte da montadora. O maior imbróglio vivido pelo mandato de Olívio Dutra como governador toma, a partir da decisão judicial, de dezembro de 2009, nuances distintas em relação à época da saída da Ford do estado e sua instalação na Bahia. Já houve apelação por parte da empresa e a decisão, portanto, não é definitiva.


No documento ao qual Sul 21 teve acesso, o Estado alega que havia celebrado com a Ford um contrato de implantação de indústria, acompanhado de 49 anexos, em data de 21/03/1998. Havia também um contrato de financiamento com o Banrisul, disponibilizando à empresa a quantia de R$ 210.000.000,00 [210 milhões de reais], liberado em três parcelas, de acordo com cronograma acordado entre as partes.

Na época, o governo noticiou que a primeira parcela havia sido liberada, ficando o acesso às demais condicionado à comprovação da vinculação dos gastos das parcelas anteriores à execução do projeto. Diz a ação que o Estado, no início de 1999, frente ao conjunto de obrigações assumidas no contrato, procurara, amigavelmente, rever algumas cláusulas que considerava nulas e prejudiciais ao patrimônio público.

Ainda segundo o documento, no final de março de 1999, a montadora estava ciente de que deveria prestar contas, e apresentou grande quantidade de documentos e um rol de alegados gastos com o programa Amazon, relativos ao período de julho de 1997 a março de 1999, os quais foram remetidos à contadoria da Auditoria Geral do Estado (CAGE), que concluiu que a comprovação era insuficiente. Antes mesmo da conclusão dos trabalhos da CAGE, a Ford já havia se retirado do empreendimento por iniciativa própria, anunciando a ida para a Bahia, sem encerrar tratativas oficiais com os representantes do Poder Público Estadual no RS.

“A Ford, consoante supramencionado, quando notificou o Estado de que estava desocupando a área onde seria implantada a indústria e sustentou, equivocadamente, o descumprimento do contrato pelo Estado que negava-se a repassar a segunda parcela do financiamento, indiscutivelmente tornou-se a responsável pela rescisão contratual. Diz-se equivocadamente, porque estava o Estado amparado nas disposições contratuais quando negou o repasse da segunda parcela do financiamento, em face da já mencionada pendência da prestação de contas pela FORD, daqueles valores repassados, concernente à primeira parcela do financiamento”, diz o documento.

Segundo matéria do jornalista Fredi Vasconcelos publicada na Revista Fórum em 2008, o custo da disputa para tirar a fábrica do Rio Grande do Sul vinha sendo revelado aos poucos, já que as negociações foram secretas, sem nenhuma participação da sociedade. O contrato original fechado pela Ford com o então governador Antonio Britto para a construção da fábrica previa o repasse de 419 milhões de reais (234 milhões em obras de infra-estrutura, 185 milhões em financiamento de capital de giro e concessão de créditos de ICMS). Algo parecido com os incentivos dados para a fábrica da General Motors, que acabou sendo construída no Rio Grande do Sul.
 
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