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sexta-feira, 24 de junho de 2011

Eucalipto transgênico volta ao centro do debate

Em pratos limpos 
Tema que já gerou muita polêmica nas últimas décadas, a transgenia voltou com força à pauta da indústria de base florestal. Na próxima semana, biotecnologia e a utilização de organismos geneticamente modificados nessa área - com destaque para o eucalipto - serão temas de dois eventos, igualmente importantes para as empresas que usam a madeira como matéria-prima, que ocorrem em pontos opostos do globo. A proposta é retomar os debates em torno do uso de árvores transgênicas inteiras, rumo à possível adoção dessa tecnologia em escala comercial. Na Malásia, o FSC (do inglês Forest Stewardship Council), principal órgão certificador de manejo florestal sustentável do mundo, promoverá sua assembleia geral com o objetivo de debater as quase duas décadas de atuação do órgão. Na ocasião, o Instituto de Pesquisas e Estudos Florestais (Ipef), apoiado por Suzano Papel e Celulose, Duratex e pela Organização de Produtores Florestais da Nova Zelândia (NZFOA), levará à votação uma moção na qual sugere que se acelere o debate sobre o cultivo de florestas transgênicas. No Brasil, Porto Seguro (BA) sediará a conferência internacional da União Internacional de Organizações de Pesquisa Florestal (IUFRO), na primeira vez em que o evento ocorre na América Latina. Fibria; Veracel, produtora de celulose instalada no sul da Bahia e que tem como sócia a sueco-finlandesa Stora Enso; Klabin e International Paper patrocinam o encontro.
 
De acordo com a presidente da Associação Brasileira de Celulose e Papel (Bracelpa), Elizabeth de Carvalhaes, é chegada a hora de avançar no debate sobre a aplicação da transgenia em florestas de eucalipto. "Há argumentos fortes para que esse assunto seja retomado", defende. Filiada ao FSC, a Bracelpa tem o direito de voto nos temas debatidos ao longo do evento. "Acreditamos que a agência certificadora deve liderar as discussões", afirma Elizabeth.
 
O debate sobre a exploração de árvores transgênicas pouco evoluiu nos últimos três ou quatro anos, embora as pesquisas tenham avançado de forma significativa, especialmente nos Estados Unidos. Um dos principais obstáculos tem sido a falta de consenso. O próprio FSC, em sua atual política, aprovada em 2000, proíbe o uso de organismos geneticamente modificados em áreas certificadas. "Um dos desafios está no FSC", conta a coordenadora técnica do Programa Cooperativo em Certificação Florestal (PCCF), do Ipef, Luciana Antunes. "Mas o mundo mudou de lá para cá e é necessário que exista mais diálogo sobre o assunto."
 
Atualmente, não existem florestas comerciais de eucalipto transgênico, embora inúmeras empresas, incluindo as grandes produtoras de celulose sediadas no país, e universidades - ou organismos vinculados - já tenham autorização concedida para o plantio com fins de pesquisa. Dentre os benefícios que a transgenia poderia gerar à cultura de eucalipto estão a redução de lignina, o que facilitaria a extração da celulose. Hoje, o Brasil já é reconhecido mundialmente como um dos líderes em termos de produtividade florestal e a adoção de árvores transgênicas deverá ampliar esses índices. "Há escassez de madeira no mundo", alerta a presidente da Bracelpa. "Nesse cenário, torna-se ainda mais importante que se volte a falar em transgenia em árvores."
 
Para Luciana, do Ipef, é possível que em quatro ou cinco anos essa prática já seja comercial. Embora os Estados Unidos liderem as pesquisas no setor, outros países, como Canadá, Nova Zelândia e alguns latino-americanos também encamparam pesquisas e poderão ocupar posição de destaque nas discussões internacionais.
 
Fonte: Valor Econômico, 22/06/2011.

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