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sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Usina Hidrelétrica de Belo Monte: Reação de índios e ribeirinhos à construção é imprevisível, diz dom Erwin Kräutler

Os movimentos sociais, os movimentos das populações locais não estão sendo ouvidas, se quer consultadas!!!Nem lá nem aqui!! Estamos sofrendo as investidas do capitalismo selvagem, desenvovimentista, nesta região que pelo abandono dos governos se manteve o mais próximo da conservação. A região sul do RS é a bola da vez, teremos mais de 15 hidrelétricas, mais 2 termoelétricas, e pólo naval, pólo madeireiro e pólo de celulose!!! Energia para acordos com os países vizinhos, porto para atender exportações e celulose para contaminar aqui já que no exterior não tem mais onde fazer. E agora com PT aqui e PT lá estamos fudidos!!! Nunca imaginei e a coisa iria ser tão ruim... mas tende a piorar. Precisamos de analises sérias sobre tudo que esta acontecendo para não cometer os mesmos erros de alianças e decisões equivocadas que vem a nos travar. Estamos fudidos sem gozar, mas não roubaram nossas mentes e devemos ter mais seriedade e clareza para saber o que de fato podemos e devemos fazer neste momento onde o capitalismo é algo sem fronteiras e dominante. Penso que temos materiais de sobra para enxergar os rumos da sociedade.
Era, é , tende a ser....

Instalação da usina hidrelétrica de Belo Monte no rio Xingu (PA) deverá inundar uma área total de 440 km2 - um terço da área de Itaipu. Estudos dos anos 80 previam a inundação de 1.225 km2. Imagem Terra Magazine.
Instalação da usina hidrelétrica de Belo Monte no rio Xingu (PA) deverá inundar uma área total de 440 km2 – um terço da área de Itaipu. Estudos dos anos 80 previam a inundação de 1.225 km2. Imagem Terra Magazine.
O presidente do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), dom Erwin Kräutler, afirmou ontem (1º) que é imprevisível a reação dos povos indígenas e das populações ribeirinhas contrárias ao projeto da Hidrelétrica de Belo Monte, se a usina for realmente construída no Rio Xingu, no Pará. “Esse povo vai chorar, vai gritar, vai se levantar”, disse o bispo, durante debate sobre a construção da usina.
De acordo com dom Erwin, que também é bispo de Xingu, não se descarta a possibilidade de os índios e os ribeirinhos recorrerem à violência para protestar contra a remoção da área, por causa do alagamento de suas casas. “Eu peço a Deus que [a violencia] não aconteça”, afirmou o religioso.
A Usina de Belo Monte, no Rio Xingu, é um dos principais projetos previstos no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do governo federal.
Dom Erwin disse que, para os índios, sair da região teria um impacto ainda maior do que para os ribeirinhos, devido à relação cultural que eles têm com a terra. “Transferência de povos indígenas é horrível”, afirmou. “Arranca-se um povo de um lugar que habitaram por milhares de anos. Não é possível, eles não têm o direito de fazer isso”, completou.
Para o bispo, a construção da hidrelétrica é mais uma forma de explorar as riquezas do estado sem foco no desenvolvimento local, como ocorre com a mineração, a extração de madeira e a criação de gado. “O que a família paraense normal está ganhando com aquilo tudo, neste momento, neste segundo? Não sei quantos comboios de minério [seguem] para o Porto de São Luís, no Maranhão, levando minério pelo mundo afora. E nós com uma mão na frente e outra atrás”, reclamou.
O bispo duvida, inclusive, dos postos de trabalho que, segundo os defensores do projeto, serão criados com a instalação do empreendimento. “Esse negócio de empregos diretos e indiretos, isso para mim é falácia, eu não acredito”, ressaltou. “Está claro que, hoje em dia, uma construção dessas não vai dar tanto emprego porque tudo é feito por máquinas.”
Ele criticou também a maneira como alguns agentes do governo apresentam o empreendimento aos indígenas. “Esse povo que está no alto escalão não tem didática para trabalhar com os povos indígenas. Eles pensam que podem falar como se estivesse em uma faculdade de engenharia.” Essa falta de tato foi, segundo dom Erwin, um dos motivos pelos quais um engenheiro da Eletrobrás foi agredido com um facão em uma audiência com diversas etnias sobre a usina, em maio de 2008.
O bispo citou ainda a expressão “forças demoníacas”, segundo ele, usada em setembro pelo Minas e Energia, Edison Lobão, para se referir aos que são contra o projeto da usina. Para dom Erwin, trata-se de uma fala racista.
Por ser de interesse das grandes empreiteiras, que fariam a obra, e das mineradoras, que usariam a energia, diz o bispo, tenta-se construir a usina a qualquer custo, apesar de existirem outras opções. “O sujeito histórico é o projeto. Onde esse sujeito histórico tem que ser realizado, aparece um povo indígena. É preciso uma solução para esse povo, mas não se questiona o projeto. Aí é que está o erro de lógica.” Como opções, ele apontou o uso das energias eólica e solar e a modernização de hidrelétricas mais antigas para que produzam mais.
Reportagem de Daniel Mello, da Agência Brasil, publicada pelo EcoDebate, 02/02/2010

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